Para que ter filhos?
Para que ter filhos se você não consegue dar amor, carinho, educação e atenção? Tenho pensado bastante nisso ultimamente. Motivo? Meus vizinhos. Moro num apartamento e meus vizinhos de baixo e de cima possuem um casal de filhos cada. Todos na faixa de 5 a 10 anos. Chega a ser frustrante ouvir tudo o que acontece nesses apartamentos.
Uma das mães é professora de escola infantil. Ela deveria ter o mínimo de experiência com crianças. Não é isso o que acontece. Todos os dias, sem exceção, ela discute aos berros com a filha de 9 anos. A filha é mandona, bate a porta do quarto durantes as discussões e ignora o que a mãe fala. O irmão está seguindo os mesmos passos. O pai? Que pai? Ele está lá fisicamente.. só isso. Se isso acontecesse de vez em quando, tudo bem, mas é diariamente. Isso se não for às 23:45 de uma segunda-feira, por exemplo. Quando eles chegam no prédio dá pra ouvir a gritaria de dentro do meu apartamento. O que os pais falam? Nada. Demonstram apenas indiferença.
Já os vizinhos de cima são um pouco diferentes. As crianças passam o dia inteiro na escola porque ambos os pais trabalham. Chegam no final da tarde e aí a história se repete. O maior neste caso é o irmão. Ouço ele provocando a irmã o tempo todo. A irmã começa a reclamar com a mãe. A mãe berra: “para de gritar!”. Ficam nesse loop a noite inteira. Então a menina começa a chorar. Nesse momento o pai não aguenta mais e desse a mão nas crianças, imagino eu. Os dois começam a choram e depois de alguns minutos tudo se repete.
Em ambos os casos eu vejo a indiferença dos pais. Não vejo os pais dando amor, carinho, atenção. Não vejo os pais passando tempo de qualidade com as crianças. Não vejo (ou melhor, não ouço) os pais conversarem de igual pra igual com eles, explicando o porque disso ou daquilo. Tudo é na gritaria. E o que acontece com eles? Se tornam crianças insuportáveis, infelizes, problemáticas, sozinhas, mal educadas, etc. Já ouvi uma das meninas pedir para a mãe brincar com ela em um domingo ensolarado e a mãe respondeu: “não dá agora, não tá vendo que estou ocupada?”.
Essas crianças passam o final de semana inteiro dentro de casa. Por que não passar o dia no parque? Tem dois aqui ao lado. Eles gastariam todas as energias e chegariam em casa cansadas e não dariam o mesmo trabalho que normalmente dão. Por que não vão ao zoológico, ao museu, cinema. Seja lá o que for, mas tenha tempo com os seus filhos. Seja presente.
Tomo como base os sobrinhos da minha namorada. São educados, pedem licença para saírem da mesa, arrumam o quarto depois de brincar (não estou mentindo), vão para a cama às 20h todos os dias, mas não antes de lerem um livro. Eles tem 5 e 3 anos. Os pais? Eles são pais presentes. Acho que essa é a principal diferença. Eles estão sempre ali orientando, conversando e escutando as crianças. Não existe gritaria. Aliás, gritou? “Time-out”. O que existe também é disciplina e limites. Eu vejo os meus vizinhos e eles não possuem limites.
Sei que crianças são diferentes umas das outras, mas acho que as elas são o reflexo de seus pais. Ter filhos é umas das maiores responsabilidades que temos como pessoas. Infelizmente vejo tantas pessoas que não estão nem aí para os seus filhos. Então, para que ter filhos?
Ayn Rand
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”
Romanos na Espanha, Touros e Flamenco
Após refletir um pouco sobre o meu último artigo, O que eu tenho feito, percebi que tenho apenas mais duas semanas em Sevilha e isso me deixou um pouco chateado. Provavelmente a ficha só vai cair no dia 31 de maio ao entrar no ônibus em direção a Madrid para iniciar a nossa peregrinação de Sarria até Santiago de Compostela (em breve, mais detalhes sobre essa viagem). Para não ficar pensando muito nisso, resolvi aproveitar os últimos dia da melhor forma possível.
Romanos na Espanha:
No último domingo fomos até a pequena cidade de Carmona, que fica a cerca de 40km de Sevilha. A cidade é famosa por ter uma cópia reduzida de um dos cartões postais mais conhecidos do sul da Espanha: a torre Giralda, da belíssima catedral de Sevilha. Apesar do tamanho reduzido, as duas torres são muito semelhantes e a riqueza dos detalhes é impressionante. Se não fosse pela ausência da catedral e pela posição que se vê a torre, seria difícil dizer qual é qual.
Além da torre Giraldilla, outro destaque dessa simpática cidade são as diversas igrejas construídas com bases nas antigas mesquitas mouras. Em muitas delas ainda é possível ver traços das construções árabes, como os minaretes remanescentes.
Por último, e talvez a grande motivação de nossa visita a Carmona, o Conjunto Arqueológico e a Necrópole Romana. Escavações nessa região relevaram diversas construções que chegam a datar o século VII a.C. Uma pequena cidade, anfiteatro, túmulos e muitas outras coisas foram encontradas ali. É interessante observar as diversas influências que Andalusia e todo o sul da Espanha sofreu no decorrer da sua história. Talvez seja por isso que possuem uma cultura tão rica e diversificada.
Corrida de Touros:
Durante muitos meses fiquei na dúvida se deveria ou não assistir uma Corrida de Touros. Não apóio qualquer tipo de maltrato à animais (e ou a qualquer outra coisa) porém esse assunto está diretamente relacionado à cultura espanhola (outro ponto de possível relação com os Gregos e Romanos, que sacrificavam touros em suas épocas) e por querer vivenciar essa experiência um pouco mais a fundo, decidi assistir uma corrida.
A cerimonia que antecede a corrida é bem interessante. Todos os participantes entram na arena e se apresentam para o público com as suas roupas coloridas e exuberantes. Após isso, todos se retiram da arena só restando os “toreros” que iniciam a corrida. Essa é a primeira de três partes, ou “tercios”. Após alguns minutos, entram dois cavalos na arena com os “picaderos” que tem como objetivo atingir uma lança no touro para enfraquecer seu sistema nervoso.
A segunda parte se chama “suerte de banderillas”, onde três “banderilleros” são responsáveis por, ao desafiarem o touro olho a olho, tentar colocar 2 bandeiras cada na costas do touro. Muitos não conseguem. Finalmente após essa etapa, chega a última parte, conhecida por “suerte suprema”, onde o “torero” usa a famosa capa vermelha (ou “muleta”) para mostrar as suas habilidade e finalmente dar fim a corrida com a sua espada. Novamente, isso nem sempre acontece.
Não vou dizer que estou arrependido. Estaria se não tivesse visto, mas é algo triste e doloroso de se ver. A Leah por exemplo, não conseguiu assistir nenhuma da 4 corridas que aconteceram. Portanto é algo que não recomendo para qualquer um e eu, particularmente, não assistiria novamente. Uma vez foi mais do que suficiente.
Dança de Flamenco:
Desde que cheguei na Espanha assisti alguns shows de Flamenco, mas até agora isso não tinha entrado na minha cabeça. Não era algo que me dava prazer em assistir e ouvir, mas essa percepção felizmente mudou. Logo após a corrida, fomos ao teatro La Maestranza, ao lado da Plaza de Toros. Chegamos no último minutos e provavelmente compramos os últimos ingressos já que a casa estava lotada.
O espetáculo se chamava “Poema Del Cante Jondo, en el Café de Chinitas”, apresentado pelo Ballet Flamenco de Andalucía. O espetáculo era dividido em 14 atos e durou cerca de 2 horas. Uma grande equipe apresentou diversas danças, sapateados e muito Flamenco, como era de se esperar. Foi excelente ter contato com esse “outro” Flamenco, mais “vivo” e alegre, que eu não conhecia. Acho que o grande elenco e a diversidade das danças e figurinos fizeram a diferença e foram essenciais para essa mudança de percepção.
Após todas essas atividades, terminei o domingo com um ar de dever cumprido. Fizemos várias coisas novas e diferentes e aproveitamos um pouco mais desta incrível cidade.
O que eu tenho feito…
Mais de um terço de 2010 já ficou para trás. Antes que o ano termine (ok, sendo exagerado) vou fazer uma breve “retrospectiva” do que já aconteceu e uma previsão do que ainda está por vir.
Janeiro e Fevereiro:
Durante estes dois meses fiquei na casa da Leah em Scottsdale, AZ e do irmão dela em Denver, CO. Esse período acabou sendo bastante positivo e produtivo porque consegui focar no projeto que estava desenvolvendo com meu sócio: Cocoon Health. Estamos trabalhando nesse site desde de Outubro de 2008 e só agora, Maio de 2010 está pronto para entrar no ar. Cocoon Health é uma rede social voltada para médicos e profissionais de saúde, e claro, para pessoas que buscam por esses profissionais. O site será lançado em breve na Inglaterra (e todo o Reino Unido).
Março:
Após 3 meses de espera (desde Dezembro), finalmente voltei a Sevilha, mas antes passei por Londres e Paris. Aconteceu algo legal em Paris. No mesmo dia que cheguei a Leah apareceu na casa dos meus amigos e me fez uma ótima surpresa. Foi excelente reencontrá-la em uma cidade tão linda como Paris após quase dois meses separados. Já tinha visitado a cidade a 10 anos atrás e adorei reviver aquilo novamente. Agora com alguém muito especial ao meu lado.
De volta a Sevilha, continuei trabalhando bastante mas também aproveitei para curtir a vida “sevilhana”: comendo tapas, tomando cerveja Cruz Campo (que poderia ser melhor) e revendo os amigos. Foi bom voltar para “casa”. A cidade continua linda e cada vez mais quente. Março é o mês que possui um dos maiores eventos da cidade: a Semana Santa. Por 7 dias, inúmeras procissões acontecem pela cidade quase que ininterruptamente. As maiores igrejas ou “hermandades” possuem cerca de 1400 pessoas envolvidas e chegam a durar até 15h. É algo interessante e emocionante de se ver. Ainda mais quando a sua namorada te acorda a força carinhosamente às 4h da manhã para acompanhar uma procissão.
Aproveitamos o feriado da Semana Santa para viajar também. Fomos para Portugal pela segunda vez, mas desta vez para o sul do país. Tínhamos esperança de curtir uma praia, mas infelizmente o tempo não contribuiu muito. Passamos por Lagos e Faro e fomos até o Cabo de São Vicente que é o mais extremo ponto ao sudoeste da Europa. Praticamente o fim do mundo. Pelo menos era como o chamavam. Eu adoro Portugal. País lindo, cidades antigas, comida excelente e menos explorado turisticamente como o resto da Europa. Além disso sempre me divirto com o sotaque português. Ora pois!
Abril:
Abril é mês de festa em Sevilha. Mais festa, eu quero dizer.. Agora a famosa “Feria”, ou a festa de Abril ou da Primavera. De uma forma rápida: as mulheres se vestem com trajes de Flamenco, os homens com ternos e por uma semana todos dançam a “Sevilhana”, bebem “rebujito” (Manzanilla com Sprite) e comem tapas. Muito. Tudo isso em um amplo local com milhares de “casetas”, ou pequenos estandes que funcionam como bares/restaurantes. O mais divertido é ir com amigos e passar de uma caseta para a outra bebendo e comendo. Isso sim é vida.
Uma amiga da Leah emprestou o vestido para ela. Não preciso comentar que ela adorou né? Mas a verdade é que ela estava linda.
Assim como a Semana Santa, um dois ou três dias são mais do que suficientes. Como tivemos o fim de semana livre e encontramos passagens baratas, fomos para Marrakech, em Marrocos. Desde a nossa viagem ao Oriente Médio no ano passado, temos um carinho especial pela cultura árabe. Marrakech foi excelente para refrescar a nossa memória do caos, da simpatia e da excelente cozinha árabe.
Tudo foi excelente até o último dia quando o vulcão Eyjafjallajökull decidiu fazer mais duas vítimas. Nosso vôo foi cancelado e tivemos uma longa jornada de volta a Espanha. Junto com um grupo de estudantes americanos, pegamos uma van/taxi até Tangier, no norte de Marrocos. Foi uma viagem de “apenas” 10 horas por causa disso perdemos a ferry que iria para Tarifa (Espanha). Tivemos que esperar algumas horas até a próxima, que iria para Algecira, que cá entre nós, não é uma cidade nada agradável. Finalmente chegamos na Espanha por volta das 2h da manhã e como tudo estava fechado, tivemos que esperar até 7h da manhã para pegar o ônibus de volta a Sevilha. Passamos a noite em frente da estação de ônibus. Sobrevivemos e depois de 24 horas viajando chegamos em casa.
E agora? O que vem pela frente?
Maio chegou e é nosso último mês na Espanha, pelo menos em 2010. Cocoon Health já está praticamente no ar depois de vários meses de trabalho. Em Junho voltamos para os EUA por um mês e em Julho vamos para o Brasil (já estou com passagem comprada). Nesse meio tempo temos a Copa do Mundo. Será a minha primeira Copa sem meus amigos e sem o meu país.
Pelo visto será um mês corrido e cheio surpresas, mas nada muito diferente do últimos meses da minha vida.
Unificação dos meus blogs
Eu tentei. E não foi apenas uma vez. Desde que comecei a viajar, no início em 2008, tinha vontade de criar um blog para compartilhar minhas experiências com amigos, familiares e outros viajantes. Resolvi então criar um blog pessoal dentro do meu site pessoal. Cheguei a escrever algumas coisas mas infelizmente o blog não foi muito para frente por falta de tempo e outras prioridades.
No ano passado, antes de viajar pelo Oriente Médio, tentei novamente com o site “Facing My World” porém o resultado foi o mesmo. Foi complicado manter o blog atualizado durante a viagem e depois outras viagens vieram e acabei abandonando novamente.
Agora estou aqui para tentar mais uma vez, porém com o foco um pouco diferente. A idéia é escrever sobre qualquer coisa que me interesse e não apenas sobre as minhas viagens. Com isso não vou ficar tão limitado porque no fundo sempre quis ter um espaço onde pudesse fazer isso, mas um blog de viagem não seria o lugar ideal.
Vou manter uma versão em inglês também para amigos que fiz pelo mundo. Além do blog, vou atualizar em breve meu site com um novo design e com todos os trabalhos que estive envolvido nos últimos anos e outras novidades que estão acontecendo na minha vida.
Só preciso manter o foco e escrever bastante. Até breve.
Balsamiq Mockups – Uma ferramenta simples e poderosa
Desde que me tornei um desenvolvedor web freelancer, passei a ser responsável por quase todas as etapas de criação de um website ou sistema web. Não demorei muito para aprender o quanto é importante a parte de criação de mockups e protótipos de telas, especialmente com Clientes leigos e/ou que não possuem total conhecimento de sua real necessidade. Com as telas desenhadas, é muito mais fácil para o Cliente analisar se é realmente isso que deseja simplesmente pelo fato de terem em mãos algo mais concreto.

Nos últimos meses tenho testado diversos aplicativos com objetivo de encontrar uma ferramenta poderosa e que me desse liberdade e agilidade de criar mockups profissionais para meus clientes. Não queria nada tão complexo como o Visio nem tão simples quanto usar papel e caneta. Busquei até encontrar o Balsamiq Mockups da Balsamiq Studios. Balsamiq Mockups é uma aplicação desenvolvida em Flash e roda sobre o AIR da Adobe, o que permite rodar em múltiplas plataformas (Mac/Linux/Windows).
Além disso, o look and feel dos mockups gerados lembram os inúmeros desenhos de telas que fiz no passado, mas dessa vez sem utilizar papel e caneta (e com muito mais qualidade). Toda a interface é simples e direta. Basicamente existem duas barras de ferramentas. A primeira contém o Quick Add, que como o próprio nome diz é a forma mais fácil de encontrar e adicionar controles, além dos botões básicos como copiar, colar, agrupar, etc.
A segunda barra de ferramentas contém todos os 75 controles disponíveis divididos por categorias como Botões, Layout, Mídia, etc. (existem controles específicos para o iPhone). Novos controles ainda não podem ser adicionados diretamente no aplicativo, mas é possível importar imagens e utilizar o recursoSketch it!, que transforma a imagem num desenho similar aos outros controles. O site Mockups To Go possui diversos templates gratuitos criados pela comunidade e novos controles podem ser solicitados diretamente aos criadores do Balsamiq.
Para criar um mockup não existe nenhum segredo: basta arrasta e soltar os controles na página. Todos os controles possuem uma caixa de propriedades que permite alterar fontes, cores, alinhamentos e outras propriedades exclusivas de cada controle. A ferramenta permite exportar os mockups no formato PNG e ainda copiar e colar diretamente no Word ou Powerpoint. O Balsamiq Mockups suporta diversas soluções colaborativas, entre elas Atlassian Confluence, Atlassian JIRA e XWiki além de possuir um formato baseado no padrão XML para armazenamento dos mockups. O modo Tela Cheia permite esconder as barras de ferramentas e focar exclusivamente no mockup. Essa função é excelente para fazer apresentações e brainstorm com aos clientes.
Duas das poucas críticas que encontrei em reviews de outros sites são:
- Apenas uma página por arquivo: Não é possível adicionar novas páginas. Isso é um ponto negativo se você estiver trabalhando em um projeto com múltiplas páginas relacionadas ou agrupadas.
- Não existe o conceito de Master: Pelo fato de não existir a possibilidade de múltiplas paginas, não é possível criar controles Master (compartilhamento dos mesmo componentes por diversas páginas)
Mas pelo fato dos criadores do Balsamiq estarem abertos a críticas e sugestões, eles se pronunciaram em relação a essas críticas e já estão providenciando melhorias para as próximas versões. Ponto positivo para o aplicativo e para nós, usuários, que só temos a ganhar mais recursos e melhorias.
Sem dúvida nenhuma, o Balsamiq Mockups já faz parte da lista de ferramentas que utilizo para desenvolver sites e aplicações web.
Grand Canyon
O Grand Canyon é um daqueles lugares que é impossível descrever com simples palavra. Talvez por sua grandiosidade, ou pela beleza, ou ainda por sua unicidade, mas creio que seja por tudo isso junto e mais um pouco. É difícil dizer com exatidão quando o Grand Canyon teve sua formação geológica, mas cientistas dizem algo entre 250 milhões e 2 bilhões de anos. Praticamente ontem! ;) Hoje é um dos mais importantes Parque Nacionais dos EUA, sendo visitado por 5 milhões de pessoas anualmente. Não é por menos. O lugar é simplesmente incrível.
Como praticamente todos os Parques Nacionais dos EUA, possui uma boa infraestrutura com hotéis, restaurantes e lógico, milhares de lojas de souvenir. Além disso, existem diversos passeios dentro do parque como trilhas, passeios pelo rio Colorado, tour de helicóptero, cavalos, etc. Decidimos apenas fazer algumas trilhas e meditar sobre aquela paisagem única: as várias tonalidades do canyon e o branco da neve que caiu na noite anterior.
Flagstaff
Após um dia cansativo porém recompensador, saímos do Grand Canyon em direção a Flagstaff para passar a noite antes de seguir para Sedona. Flagstaff está situada ao norte do estado do Arizona a uma altitude de cerca de 2200m acima do nível do mar, o que proporciona temperaturas mais baixas em relação ao resto do Arizona. Realmente estava frio e nevou bastante durante a noite, mas a paisagem era muito mais bonita com a neve. Principalmente ao ver os primeiro raios de sol pela manhã. A cidade em si não tem nada demais além do seu charme e por ser cortada ao meio pela lendária Rota 66.
A Rota 66 ficou famosa pelas inúmeras canções e filmes que ali foram gravados. A estrada tem seu início em Chicago, Illinois e passa por Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, New Mexico, Arizona, e Califórnia até chegar em Los Angeles, totalizando os incríveis 3940 km de extensão.
Sedona
Assim como o Grand Canyon, a natureza foi muito generosa com a beleza, as cores e as formações das montanhas desse local. É nítida a diferença entre uma montanha qualquer e outra em Sedona. A cor avermelhada e alaranjada, dependendo da posição do sol, dão um toque especial e único para o local. Existem milhares de “Scenic View” e a vontade é de parar em todos os lugres para tirar fotos e observar a natureza.
O centro da cidade, se é que podemos chamar assim, é uma grande rua com milhares de loja de souvenirs, cafés e restaurantes. Existem milhares de trilhas a serem feitas e a vista é maravilhosa em quase todos os locais ainda mais no final da tarde. Eu ainda estou apaixonado pelo pôr do sol no Arizona e aqui não é diferente.
15 dias em Phoenix, Scottsdale e Tempe
No meu post anterior fiz alguns comentários sobre Arizona e três de suas principais cidades: Phoenix, Scottsdale e Tempe. Após 15 dias vivenciando e conhecendo um pouco mais sobre essa região, tenho condições de ir um pouco mais a fundo. Para entender a relação entre essas cidade, basta olhar para São Paulo e sua região metropolitana. A idéia é a mesma, porém em menores proporções. Phoenix é a capital do estado e a maior cidade com cerca de 1.5 milhões de habitantes. Junto com as cidades que fazem parte da área metropolitana o total da população sobe para 4.3 milhões.
Essa é a segunda região que mais cresceu nos EUA desde de a década de 90 como taxas superiores a 45%, sendo que a média nacional foi de 15%. Nos últimos anos houve uma grande emigração de pessoas vindas da Califórnia em busca de custo de vida mais acessível. Phoenix é o centro econômico da região e nota-se isso ao chegar no centro da cidade. A paisagem muda radicalmente por causa dos seus modernos e altos arranha-céus. As outras cidades não possuem prédios e construções tão altas, o que é excelente. Tem horas que me sinto sufocado pelos milhares de prédios da cidade de São Paulo ao não conseguir ver o sol no céu. As cidades ganham um toque mais acolhedor, típico de cidades menores e uma paisagem limpa e bela. Ver o por do sol no Arizona é uma experiência incrível.
Tempe é a sede da Arizona State University, ou ASU para os íntimos, e grande parte da população da cidade é composta por estudantes. No verão norte-americano é normal que a cidade fique vazia por causa das altas temperaturas. Essas que chegam a 48º C. Do meio de junho ao meio de agosto, grande parte dos estudantes voltam para sua casas em outros estados e cidades ou viajam para outros lugares com temperaturas mais humanas, por exemplo Califórnia. Nada mal. Por ser uma cidade universitária, existem milhares de bares, clubs e restaurantes. Andar dentro do campus da universidade me fez pensar no atual sistema educacional brasileiro e ver o quanto está decadente com raras exceções (universidades federais e estaduais). Ao invés de formar profissionais qualificados, vendemos diplomas. Hoje estudamos em faculdades que o objetivo é puramente lucrativo e não o de ensinar, que deveria ser seu principal objetivo. Além disso muitas vezes somos obrigados a trabalhar enquanto estudamos e por causa disso não conseguimos ter o aproveitamento desejado. Talvez essa seja umas das diferentes entre um país desenvolvimento e outro subdesenvolvido, ops, em desenvolvimento.
Já Scottsdale, é um mundo a parte. As diferenças com as cidades brasileiras ficam ainda mais nítidas aqui. Por exemplo, BMW e Mercedes são carros absolutamente normais, porém ver Maseratis, Porsches (milhares) e Ferraris é algo muito comum (mais do que você imagina) e (quase) todo mundo tem. Grande parte das famílias moram em condomínios fechados, não por causa da segurança. Simplesmente porque é assim que as coisas funcionam aqui. A cidade possui muito mais luxo que as suas vizinhas, graças aos seus carros, mansões, restaurantes e lojas caríssimas. Mas muita vezes, não muito diferente do que pagamos para morar em São Paulo.
Tive o prazer de comer e um excelente restaurante chamado NoRTH. Ganhador de diversos prêmios como “melhor restaurante italiano”, “melhor ambiente”, “melhor carta de vinho”, entre outros, oferece uma cozinha italiana moderna. Existem diversas opções inclusive para vegetarianos. Ele está localizado em Kierland, um shopping center ao céu aberto, junto com outros restaurantes e lojas. É um lugar muito agradável para passear após um bom almoço, inclusive pela imensa Barnes & Noble que há no local. É impressionante a quantidade de revistas do mais variados assuntos que os americanos tem.
Outro lugar que merece destaque é o Whole Foods Market. Basicamente é um supermercado de produtos naturais e orgânicos de qualidade. A lista de produtos é imensa e você encontra tudo orgânico: queijos, vinhos, cervejas (!) e tudo mais que possa imaginar. Ter mãe a namorada vegetariana dá nisso, mas não posso reclamar. Hoje me considero uma pessoa muito mais saudável (e leve) desde que comecei a me preocupar um pouco mais com a minha a alimentação.
Além disso, o Whole Foods leva a sério os problemas do planeta e vende por cerca de $0.99 (dependendo do modelo) sacolas plásticas de garrafas PET recicláveis, evitando a propagação de mais saco plásticos a cada compra. E se você utilizar essas sacolas nas compras, ganha desconto por cada saco de plástico evitado. O contrário também é válido: para cada saco plástico que precise para as suas compras, será adicionar alguns centavos no final da sua conta. Vejo que isso é uma boa tendência a ser seguida (na Europa já é muito comum).
No geral as cidades são limpas e seguras. Não é difícil de andar pelos estacionamentos gratuitos (sim, dificilmente se paga para estacionar seu carro nos centros comercias e shopping centers) e encontrar carros com vidros aberto. Alguém faz alguma coisa? Provavelmente não. Por outro lado, Phoenix não é apenas a capital do Estado do Arizona como também é a capital do sequestro dos EUA. Isso está associado ao grande número de imigrantes ilegais vindos do México. Lembre-se, Arizona faz fronteira com o México. O que muitas vezes acontece é que os imigrantes precisam de dinheiro para pagar por terem conseguido entrar nos EUA, e sequestro relâmpago é a forma mais fácil e rápida de conseguir dinheiro.
Mas não são apenas coisas ruins que a fronteira do México trás para os EUA. Encontrar restaurantes mexicanos por aqui é tarefa fácil. Um que eu achei bastante interessante se chama Chipotle. Apesar de ser uma rede fast-food, tem produtos frescos e muito saborosos. E o melhor: é tão barato quanto o McDonalds. Mas a influência mexicana é maior do que apenas associações ao crime e a culinária. Muitas propagandas de TVs, rádios e revistas são em espanhol. Até mesmo ligar para o atendimento eletrônico de bancos ou de companhia de telefone celular, muitas vezes é em espanhol também. Não é por menos que previsões dizem que em 2050, os hispânicos serão cerca de 30% da população americana. Estamos falando de cerca de 127 milhões de pessoas. Imagine o que isso pode influenciar no futuro do país nos próximos nos.
No próximo post vou comentar minha viagem ao Grand Canyon, um dos cartões-postais mais famosos dos EUA, além de Sedona e Flagstaff. Até breve.
EUA: Primeiras Impressões
Antes de viajar…
Se você não tem um passaporte da Comunidade Européia e não faz parte de uma pequena lista de países amigos, inevitavelmente você precisa de um Visto para viajar para os Estados Unidos. Já li e ouvi diversos relatos, negativos obviamente, de pessoas que tentaram inúmeras vezes sem sucesso. Eu mesmo tentei a alguns anos atrás e recebi um não como resposta. Todo o processo é relativamente fácil: preencher alguns formulários, reunir documentos que provem que você trabalha e tem condições financeiras para pagar a viagem, e por último, fazer uma entrevista no Consulado Americano. Muitas vezes isso não é o suficiente. Felizmente, no começo desse ano tentei novamente e dessa vez o resultado foi positivo.
Com o visto na mão, precisava apenas comprar as passagem. A alguns anos atrás meu banco me enviou um cartão de crédito com o programa de milhas da American Airlines. Coincidência ou não, eu tinha o número exato de milhas necessárias par viajar para a América do Norte. No dia 12 de Fevereiro de 2009, menos de uma semana após receber meu passaporte com o visto, embarquei para Phoenix, Arizona. Fiz uma rápida parada em Dallas, Texas para passar pela imigração e pegar a conexão para o meu destino final. Tudo foi tudo muito rápido e tranquilo.
Quando cheguei em Phoenix e comecei a passear pela cidade, eu parecia uma criança em uma loja de brinquedos. Foi engraçada esse sensação, pois gosto muito de analisar e prestar atenção em tudo que é novo. E naquele momento tudo era novo e diferente. A cidade fica no meio do deserto, literalmente, e é cercada por outras cidades menores como Scottsdale e Tempe. O estado do Arizona é conhecido pelo sol e altas temperaturas no ano inteiro e fica localizado entre Califórnia, Novo México, Utah, Colorado e logo acima do México. Mesmo estando no final do inverno a temperatura estava cerca de 30º C . Sinceramente não gostaria de imaginar como é o verão.
Primeiras Impressões
A primeira coisa que me chamou atenção foi o tamanho de tudo. Desde embalagens de comidas e bebidas, passando por carros, ruas, avenidas e casas tudo é absurdamente grande. E digo isso mesmo vindo de uma cidade grande como São Paulo. Acredito que o tamanho das casas, ruas e avenidas está relacionada a vasta área plana que abriga essas cidades. O lado ruim disso, é que você precisa de carro para tudo e tempo disponível para “viajar” de um lugar para o outro.
Outra nítida diferença é relacionada ao transito. Onde tem uma placa e Pare, os carros param. Quando estamos perto de uma escola e o limite de velocidade reduz para 25km por hora, os carros reduzem. Mesmo em grande cruzamentos onde virar a direita é permitido quando o sinal está vermelho, as coisas funcionam. Não posso generalizar e comparar com todas as outras cidades dos EUA (pois provavelmente nem todos os lugares são assim), mas fiquei com um pouco de inveja de tudo disso. Quem mora em São Paulo sabe o que estou falando.
Além disso, você pode começar a dirigir quando completa 16 anos (mas isso varia para cada Estado), porém somente aos 21 você pode beber. Ou seja, na teoria você tem cerca de 5 anos para aprender a dirigir antes de misturar com álcool. Lógico que isso é apenas na teoria, mas diversos locais fui solicitado a mostrar meu ID antes de beber uma cerveja. Quantas vezes isso aconteceu comigo no Brasil? No máximo duas… em toda a minha vida.
Em relação as pessoas, sinceramente fiquei positivamente surpreendido. Em todos os lugares que eu fui, e isso inclui restaurantes, bares e diferentes tipos de lojas, sempre fui muito bem recepcionado. “Bom dia!”, “Como você está?” e um sorriso no rosto era algo absolutamente normal. Comparando com a Argentina e até mesmo com o Brasil, que em geral somos bem receptivos e simpáticos, era algo diferente do que estava acostumado.
Além de tudo isso, confirmei algo que já sabia. São Paulo é uma cidade cara. Comparando preços de alguns produtos como comidas, bebidas, livros e eletrônicos, praticamente tudo é mais barato. Não vou comentar preço de carros porque a diferença é maior ainda. É ridículo como pagamos caro (impostos + impostos + impostos) por carros de qualidade muitas vezes inferior, sem ABS, Airbags e outros itens de segurança que são obrigatórios nos EUA. A realidade é essa: eu compraria mais coisas nos EUA com o salário que eu tinha em reais, do que no meu próprio país. Mas novamente, não gostaria de generalizar ainda mais porque a tributação, o custo de vida e os salários são diferentes entre o dois países.
Essas foram as primeiras coisas que me chamaram atenção. De uma forma geral foi tudo muito positivo. Em breve mais informações e fotos sobre os próximos destinos: Grand Canyon, Tucson, Flagstaff e Sedona no Arizona e Denver e Vail no Colorado.


